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Eliane Aere, diretora de RH da Ticket: funcionários mais saudáveis e economia de 1 milhão de reais por ano
Check-up econômico

Graças a uma reestruturação iniciada há seis anos, a Ticket conseguiu reduzir os gastos com saúde e elevar o nível de satisfação dos funcionários

Quando o assunto é gasto, uma das maiores dores de cabeça da área de recursos humanos se chama saúde. Os custos com plano de saúde, faltas e afastamentos por doenças costumam provocar rombos nos orçamentos. Não era diferente na Ticket, empresa de serviços alimentícios do grupo Accor. Em 2002, a companhia chegou a computar 6,9 milhões de reais de gastos relacionados à saúde. A solução foi promover várias iniciativas: do uso consciente do plano médico a investimentos em prevenção de doenças. Com isso, a Ticket melhorou não só a saúde dos seus profissionais, mas também a própria saúde financeira.

O DESAFIO

Em 2002, a Ticket gastou 6,9 milhões de reais com benefícios relacionados à saúde, para atender 4 000 pessoas — os 900 funcionários e seus dependentes. O gasto per capita da empresa chegava a 140 reais, considerado acima da média do mercado. “Os custos vinham aumentando ano a ano e não percebíamos um ganho proporcional na saúde dos nossos colaboradores nem na satisfação com o atendimento que recebiam”, diz a diretora de recursos humanos, Eliane Aere. Era preciso fazer algo que parecia improvável: reduzir os custos e, ao mesmo tempo, aumentar a satisfação dos funcionários — que, de acordo com a pesquisa de clima realizada na época, não passava de 60%.

A SOLUÇÃO

Era preciso atacar uma das raízes do problema: o uso pouco racional do plano de saúde, inteiramente subsidiado pela companhia. “Havia casos de gente que fazia exame de sangue, não ia buscar o resultado e no mês seguinte fazia outro exame”, conta Eliane. Para coibir abusos como esse, a empresa decidiu implantar a co-participação, modelo em que o funcionário paga parte da consulta ou do exame, uma medida que poderia causar certa resistência do time. Pensando nisso, a Ticket efetuou as mudanças gradualmente — o percentual descontado inicialmente foi quase simbólico, 3%, até atingir o patamar definitivo de 20%. Tudo foi precedido por uma campanha de esclarecimento, trabalho que continua sendo feito por meio da publicação de um boletim mensal. “A chave do sucesso de um processo como esse é a transparência”, diz Eliane.

Como forma de contrabalançar o fim do plano totalmente subsidiado, a Ticket ofereceu uma série de compensações. A coparticipação deixa de existir em casos de gravidez, por exemplo. Além disso, ficou estabelecido que metade do dinheiro economizado com a contribuição dos funcionários permaneceria em um fundo de reserva para eventuais casos críticos, como doenças graves envolvendo colaboradores ou dependentes. A empresa passou a oferecer também serviços adicionais, como vacinação para crianças e adolescentes até 16 anos e estendeu o direito a internação em quarto particular para todos os funcionários.

Houve investimento também em prevenção. A Ticket implantou um serviço interno de saúde, com médico, psicólogo, fisioterapeuta e nutricionista, que permanecem disponíveis para orientações e atendimentos — foram 3 000 no ano passado. O RH também iniciou um serviço de conscientização das lideranças sobre os danos do estresse e a necessidade de evitar que o mal se instale na equipe de trabalho. E a equipe médica interna passou a comandar um check-up anual em todos os funcionários. Com isso, identificou problemas de saúde que muitos nem desconfiavam que tinham, como diabetes e pressão alta. Casos tidos como de alto risco — cerca de 4% do total — foram imediatamente tratados, incluindo a reorientação de hábitos e estilo de vida. Os de risco médio também estão sendo acompanhados.

O RESULTADO

Os gastos da Ticket com saúde caíram ano a ano, chegando ao patamar atual de 4,2 milhões de reais — redução de 40% em relação a 2002, para um público atendido que fica em torno das mesmas 4 000 pessoas daquela época. O índice de afastamento caiu de 4% para 1,7%, representando uma economia de 1 milhão de reais por ano para a empresa. O incentivo para que os funcionários busquem uma segunda opinião médica, parte do trabalho de prevenção, fez cair em 27,5% o número de cirurgias. “Em muitos casos há soluções menos invasivas do que uma cirurgia. Isso representa um ganho de custo e, sobretudo, um enorme ganho humano”, diz Eliane. Os funcionários concordam. O grau de satisfação com o plano de saúde, identificado pela pesquisa de clima, saltou de 60% para os atuais 87%.


RAIO-X DA TICKET
NEGÓCIO: EMPRESA DE SERVIÇOS ALIMENTÍCIOS DO GRUPO ACCOR COM 5,3 MILHÕES DE USUÁRIOS NO BRASIL
NÚMERO DE FUNCIONÁRIOS NO BRASIL: 1 000
FATURAMENTO NO BRASIL EM 2007: R$ 6,7 BILHÕES
SEDE NO BRASIL: SÃO PAULO (SP)

 



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