Melhores Práticas
Virando o jogo
Graças a um plano que aumentou o envolvimento dos funcionários, a Nivea reduziu pela metade seu índice de rotatividade
Conquistar e reter talentos é um desafio para o RH. Nos dias de hoje, passou a ser vital para a sobrevivência do negócio. Imagine então a situação de uma empresa em que os funcionários davam adeus ao completar três anos de casa. Esse era o cenário na filial brasileira da Nivea, uma das maiores fabricantes de cosméticos do mundo. A companhia percebeu que jamais atingiria a meta de dobrar seu faturamento até 2010 se não reduzisse drasticamente seu turnover, na casa dos 30%. Em 2006, uma operação de guerra foi montada. Com ações simples como encontros periódicos dos funcionários com o presidente e uma nova política de promoções e recrutamento, a Nivea refez toda a sua estratégia de RH. Os resultados vieram antes do planejado.
O DESAFIO: Em 2005, a Nivea alcançou um recorde negativo. A empresa encerrou o ano com um índice de evasão de 30%, o dobro da média do mercado. Era uma situação inviável para uma companhia que havia planejado dobrar o faturamento até 2010. Se permanecesse nesse ritmo, em três anos praticamente todos os funcionários teriam sido trocados. O curioso é que, ao sair, as pessoas diziam que gostavam da companhia. Elas iam embora porque não viam possibilidade de desenvolvimento, diz Mônica Longo, diretora de recursos humanos. Era fundamental não só aumentar a satisfação dos funcionários, mas também oferecer a cada um a chance real de crescer.
A SOLUÇÃO: Para virar o jogo no curto prazo, a Nivea lançou, no começo de 2006, um novo plano organizacional que procurava valorizar e estimular os funcionários. A organização optou por atacar em seis frentes, todas elaboradas pelo RH. Para começar, decidiu trabalhar o desenvolvimento profissional. Foi criado um plano de carreira e o processo de avaliação de desempenho foi revisado. Chefes passaram a analisar a performance de seus subordinados e vice-versa. Os empregados receberam uma lista de objetivos a cumprir e seriam cobrados e valorizados de acordo com o que havia realizado. O segundo ponto foi a criação de um organograma para os 350 funcionários, do presidente ao contínuo. Para ficar sempre atualizado, a cada seis meses o organograma seria refeito. Com isso, as pessoas reconheceram melhor o seu papel dentro da Nivea, diz Mônica. A terceira ação revelou-se fundamental no aumento do grau de envolvimento. Duas vezes por mês, o presidente, Nicolas Fischer, passou a reservar sua agenda para tomar café da manhã com um grupo de 12 funcionários. Selecionadas por área de atuação, e sem distinção de nível hierárquico, as equipes têm total liberdade para falar sobre o que bem entenderem, dos negócios da empresa a questões pessoais. O acesso ao presidente mexeu com o brio do grupo. Você percebe neles o orgulho, a vontade de fazer parte, afirma Mônica. Para reforçar o nível de comprometimento, o RH introduziu a disseminação da missão, visão e valores da companhia. E não parou por aí. Os subsídios à educação, que antes eram restritos aos gestores, passaram a ser oferecidos a todos desde que comprovem a importância do curso para o desenvolvimento profissional. Para estimular a mobilidade, a Nivea também organizou o recrutamento interno. Hoje, antes de contratar alguém de fora, a companhia olha para dentro. Até o ambiente físico sofreu modificações. Localizada na capital paulista, a Nivea ocupa dois andares muito charmosos, com direito a orquídeas espalhadas por toda a área. Esse capricho também entra como plano de ação para segurar seus talentos.
O RESULTADO: Em pouco mais de dois anos, a rotatividade caiu praticamente pela metade. Atualmente, está em 17%, mas o objetivo é diminuir em 5% até o final do ano. Achei que alcançaríamos esse percentual apenas em 2009, diz Mônica. No ano passado, houve 146 movimentações internas (mudanças de um departamento para outro, para promover o aprimoramento profissional) e 43 promoções o dobro de dois anos atrás. Em termos financeiros, os resultados também vieram. A meta definida pela matriz alemã, de crescer 15% no faturamento em 2007, foi cumprida pela subsidiária brasileira. A resposta dos funcionários também já chegou. Pela primeira vez, este ano, a Nivea figura no Guia VOCÊ S/A Exame As Melhores Empresas para Você Trabalhar.
Raio-x da Nivea
Negócio: fabricante alemã de cosméticos e produtos de higiene
Número de funcionários no Brasil: 350 Faturamento no Brasil em 2007: R$ 600 milhões Sede no Brasil: São Paulo (SP)


