RH em debate

Confira a repercussão do segundo dia de Você RH Meeting

Palestras, debates e samba marcaram encontro

Em 23.07.2012 às 11:20

Na manhã dessa quinta-feira, o Você RH Meeting começou com uma mesa redonda sobre o tema "onde estão os erros e o que pode ser feito para melhorar o nível profissional do brasileiro". Mediado por Daniela Diniz, editora da Revista Você RH, e Tatiana Sendin, repórter da publicação, o debate contou com as opiniões dos presidentes de grandes empresas: Eliana Tameirão, da Genzyme, Pedro Suarez, da Dow, Raymundo Peixoto, da Dell, e Andrea Alvarez, da Pepsico.

Os executivos foram questionados a respeito dos impactos da má educação nos negócios das companhias que lideram. Raymundo Peixoto disse que a América Latina possui a péssima tradição de perder oportunidades, e em grande parte isso se deve às falhas nas bases educacionais de seus países. Para o executivo, o desafio da década será quebrar esse ciclo, universalizando o ensino e investindo na formação dos cidadãos e dos profissionais do mercado de trabalho.

Eliana Tameirão acrescentou que a educação deve ser um processo contínuo dentro das empresas, e citou o exemplo da própria Genzyme. Lá o conhecimento e a atualização de seus colaboradores são fundamentais para os negócios, pois o próprio mercado exige uma constante inovação de seus processos.

Pedro Suarez também pontuou que a educação compromete o futuro do país, porém a crítica veio acompanhada pela fala de que "a boa notícia é que temos talentos no Brasil, em especial dos da geração Y." Suarez descreveu esses profissionais como determinados, transparentes, motivados e com alta capacidade de aprendizado. Para o executivo, não há problema algum em dar os jovens talentos oportunidades para que ocupem cargos de liderança. na opinião dos quatro executivos, é preciso alinhar o talento das novas gerações ao conhecimento e maturidade dos profissionais mais experientes.

Andrea Alvarez, por sua vez, completou o pensamento ao afirmar que é preciso formar mais profissionais de nível técnico, e capacitar os gerentes para que se tornem os novos líderes. Outra habilidade destacada pela executiva e que, de acordo com sua visão, ainda está em falta no perfil dos profissionais, é a capacidade de resolver problemas e fazer conexões pouco óbvias. Para Andrea, a educação oferecida, seja no nível básico ou universitário, não garante esse tipo de aprendizado.

Quando a pergunta foi se os RHs devem ou não diminuir as exigências na hora de contratar, os presidentes concordaram que o comportamento, a postura e a capacidade do indivíduo são, por vezes, capazes de superar a ausência de uma e outra habilidade, como por exemplo, a falta de fluência em outro idioma. Contudo, os quatro executivos acreditam que as empresas devem incentivar seus funcionários a preencher as lacunas deixadas em seus currículos.

Filosofia em negócios

 

Na parte da tarde, o francês Jean Bartoli, professor da Fundação Instituto de Administração (FIA), levou ao debate a pergunta "as empresas treinam ou adestram pessoas?" Em sua exposição, de tom mais filosófico e pouco técnico, o professor disse que passou anos de sua vida acreditando que a comparação de uma empresa à família fosse um erro, e admitiu que, talvez, tenha se enganado.

Bartoli explicou que, assim como o ser humano não escolhe como, quando vai nascer, e muito menos com que vai conviver, é no ambiente de trabalho que ele se vê como um ator na composição de uma história, construída por pessoas também desconhecidas. E é nesse contexto que a cultura organizacional é cultivada, sem a pretensão de ser tornar uma doutrina ou religião, mas um resultado de vínculos e conexões.

O professor afirmou ainda que o papel do líder dentro de uma organização é articular o poder entre seus pares, é enxergar no outro mais capacidade do que em si mesmo criando possibilidades.

Ritmo no Você RH Meeting

Para concluir a agenda lotada do dia, os executivos de RH participaram de um workshop de bateria, conduzido por Solange Rezende, presidente da escola de samba Mocidade Alegre. Antes de dar aos presentes a oportunidade de tocar os tamborins, Solange ofereceu um panorama sobre como se dá a gestão de pessoas, o planejamento estratégico, a formação de líderes e a busca por novos talentos numa escola de samba.

A presidente ressaltou que, assim como numa organização, os sambistas possuem metas, objetivos anuais claros, lidam com a crise e gerenciam seus erros, num ambiente em que o erro e uma diferença de décimos na pontuação podem colocar um ano de trabalho em risco.

Após a breve exposição, foi formada, no Você RH Meeting, a maior ala de tamborim do mundo, fato constatado pelo líder da bateria da Mocidade Alegre, Mestre Sombra.

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