Encontro

13º encontro das melhores empresas para você trabalhar

As campeãs compartilham suas políticas e práticas de RH

Em 23.07.2012 às 11:24

Aconteceu nessa segunda-feira, 24 de outubro, em São Paulo (SP) o 13º encontro das melhores empresas para você trabalhar. Na ocasião, os profissionais de RH presentes tiveram a oportunidade de conhecer os segredos das empresas campeãs do Guia Você S/A - Exame 2011, como a Volvo e a Elektro, e as veteranas Whirlpool, Dow e Promon, que há 15 anos são listadas como as melhores para se trabalhar do país.

No primeiro painel do dia, Carlos Morassuti, diretor de RH da Volvo - fabricante de chassis de ônibus e caminhões - falou sobre o "jeito Volvo de ser", baseado em valores como dedicação, comprometimento, energia, paixão e respeito pelas pessoas. Esse norte, ditado pela liderança sueca da companhia, ajustou-se ainda à realidade do Brasil, e os resultados tornam a filial brasileira uma referência para as demais unidades do grupo, especialmente na gestão de pessoas.

O trabalho, apesar de desafiador num primeiro momento - quando a companhia precisou ajustar suas políticas e práticas de forma condizente com suas necessidades - construiu uma relação saudável entre empresa e empregado. Morassutti ressaltou que é essencial para a Volvo que seus colaboradores saibam quais são os objetivos da companhia, que resultados ela pretende atingir e como eles podem se beneficiar nesse processo.

E é por isso que, além de satisfação profissional, a Volvo se preocupa em engajar seus funcionários, alinhar discursos e promessas às práticas e criar canais e comunicação para que todos possam se fazer ouvidos, quando necessário. Além disso, a companhia aposta na crença que gente faz a diferença para o seu negócio. E, sendo assim, o RH tem atuação estratégica e é valorizado como um diferencial para o negócio.

As veteranas

Após a apresentação do case da Volvo, as executivas de RH das veteranas do Guia, Whripool, Dow e Promon, revelaram o que as empresas têm em comum para serem listadas há 15 anos como as melhores para se trabalhar, em um bate-papo mediado por Tatiana Sendin, repórter da Revista Você RH. Comunicação foi a palavra-chave desse momento.

Para Nathalie Tessier, diretora de RH da Whirpool, esse sucesso se resume a manter a consistência das boas práticas de recursos humanos, de forma que elas façam sentido para as pessoas. Lia Azevedo, diretora de RH da Dow, em concordância com Nathalie, ressaltou que não existe uma política única de recursos humanos para todos os grupos e unidades da empresa. Para ela, o segredo da companhia é saber ouvir as necessidades de cada público, analisar o que as pessoas esperam que aconteça e comunicar e recomunicar as ações e decisões de RH e como elas influenciam a vida dos funcionários.

De acordo com Andrea Flores, coordenadora de RH da Promon Engenharia - que na ocasião substitui Márcia Fernandes, diretora de RH e Comunicação da empresa - o desafio da companhia nesses últimos anos foi acompanhar as mudanças do seu negócio, diante da inovação constante da área, sem comprometer a integridade de seus processos e a expectativa de seus funcionários e gerações. Por isso, além de manter um canal de comunicação aberto com seus colaboradores, a Promon trabalha nos anseios de curto prazo de seus funcionários, preza por suas carreiras e dá a eles o protagonismo de sua trajetória profissional.

E por falar em gerações, a executiva de RH da Dow destacou o trabalho da companhia em conciliar os interesses de seus públicos e os anseios da geração Y na busca por consistência de valores, ambiente de trocas e transparência.

As três executivas foram enfáticas ao concordar que o fato de permanecerem no Guia não as levam a um patamar de estabilidade. Estar entre as melhores significa gerar novas e mais expectativas nos funcionários e trabalhar ainda mais para que o resultado alcançado não se perca por comodismo.

Os resultados do Guia

No lugar de desenvolvimento, satisfação: essa foi uma das principais conclusões da análise dos resultados Guia Você S/A Exame de 2011. A reinvenção das expectativas dos funcionários, a nova forma de escassez de mão-de-obra, que passou a ser, além de qualitativa, quantitativa, e aos anseios da nova geração de pessoas, que trabalham por resultados de curto prazo, foram alguns dos principais pontos levantados por André Fischer, professor da Fundação Instituto de Administração (FIA) e coordenador da pesquisa do Guia.

O professor informou que nos levantamentos realizados entre os anos de 2006 a 2009, a maior parte dos funcionários entrevistados (38,3%) considerava o quesito "aprendizado e desenvolvimento" como o fator mais importante para se manter na empresa. Mas, nas duas últimas edições, segundo 41,8% dos funcionários em 2010 e 45% em 2011, a condição mais importante para reter pessoas é fazê-las sentirem-se satisfeitas com seu salário e motivadas com sua atividade.

Na opinião do professor, dados como esses apontam que os critérios de retenção estão mudando. E não atoa, a rotatividade de trabalhadores no mercado de trabalho brasileiro foi de 52,4%, segundo dados da Relação Anual de Informações Sociais (RAIS) do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE). Por outro lado, as melhores empresas listadas no Guia, atentas à essas expectativas, registraram uma rotatividade de 18%, e mostram que, de alguma forma, estão trilhando no caminho certo.

Os bastidores do Guia

Após a apresentação dos resultados da maior pesquisa de clima do país, a redação da revista Você S/A, representada por quatro de seus jornalistas, compartilharam com os participantes do encontro das melhores um pouco do que acontece durante as visitas às 243 empresas pré-classificadas do Guia.

Ao todo, 15 repórteres percorreram 55 000 quilômetros pelo país afora para ouvir os relatos de 4 860 funcionários. Os jornalistas Luiz de França, Maurício de Oliveira, Tatiana Sendin e Daniela Diniz destacaram a importância da checagem in loco das práticas e políticas de RH anunciadas pelas companhias, durante o período de inscrição e preenchimento de questionários.

Os jornalistas sanaram diversas dúvidas da plateia a respeito da pesquisa e deram algumas dicas valiosas sobre o que fazer e não fazer nessa fase de entrevistas, como, por exemplo, vigiar os funcionários durante a conversa com o repórter, moldar a fala dos colaboradores para beneficiar a empresa, ou selecionar parentes ou empregados de confiança para participar desse processo.

Clique aqui e confira uma forma divertida de saber um pouco mais sobre o trabalho dos jornalistas da Você S/A.

Sucessores ou substitutos?

Na sequência, César Souza, da Empreenda Consultoria, falou sobre aquilo que ele considera "o calcanhar de Aquiles" das empresas: o processo de sucessão. De acordo com o especialista, muitos líderes ainda não entenderam a importância e relevância desse assunto para os seus negócios, e além de postergar a conversa sobre o sucessor, tomam alguma atitude diante de situações forçadas (38% das organizações formam sucessores em caso de falecimento do executivo em questão), e nomeiam apenas os substitutos.

Para os que possuem tal receio, César deu dicas de como transformar o carisma e o modo de fazer do chefe em processos, sistemas e práticas para a empresa, de forma a dar perenidade às suas características, sem comprometer a alma do negócio. Para tanto, ele citou alguns exemplos de companhias e líderes que passaram o comando das operações para um novo executivo de forma satisfatória, como o recente caso de Steve Jobs e a Apple.

Em meio às dicas, Souza alertou que 71% das empresas brasileiras não dispõem de líderes suficientes para sustentar suas estratégias nos próximos anos. E alertou os RHs que o trabalho de formar sucessores leva tempo e dinheiro, em um período aproximado de 3 a 5 anos. Portanto, precisa ser algo estruturado e planejado. "Sucessão é tema de quem tem compromisso com o sucesso da empresa", declarou o consultor.

A revelação de 2011

O último painel do 13º encontro das melhores empresas para se trabalhar abordou o case da Elektro, companhia de energia do setor público, e que entrou pela primeira vez no Guia em posição de destaque. A empresa recebeu uma das maiores notas das 150 empresas listadas e levou o título de revelação do ano.

"Queríamos que a entrada no Guia fosse uma consequência do nosso trabalho", declarou Carlos Alberto dos Santos, gerente executivo de RH da Elektro. O resultado satisfatório é, para o gerente, fruto de políticas e práticas baseadas em reconhecimento e valorização dos funcionários, e investimentos em comunicação, qualidade de vida, engajamento, dentre outros. Para Santos, até aí, nenhuma novidade. O diferencial foi alinhar tudo isso à estratégia da empresa.

O movimento de se tornar a distribuidora de energia mais admirada do país começou dentro da própria Elektro, revelou o executivo. Para ele, essa admiração também deveria partir de seu público interno, e por isso o RH apostou em uma gestão sem barreiras de relacionamento e na valorização da prata da casa. O presidente se relaciona com seu time, inspira seus líderes, e a empresa preenche suas vagas abertas com recrutamento interno.

A nota do funcionário da Elektro no Guia é 93,2 -- referente ao Índice de Qualidade no Ambiente de Trabalho.

Carregando comentários aguarde...

Copyright © 2012, Editora Abril S.A. - Todos os direitos reservados